quarta-feira, 20 de abril de 2011

Zangão Universitário - Trabalho de Sociologia

Um post um pouco diferente hoje. Não sei se muitos sabem, mas estou cursando jornalismo pela PUC- Campinas, começando esse ano mesmo. Este blog serve de treinamento e aprimoramento das técnicas escritas e críticas que vou aprendendo durante a passagem dessa vida. Abaixo, vocês podem conferir o trabalho que fiz para a matéria de sociologia onde o objetivo era fazer uma mistura de jornalismo com conceitos de um dos sociólogos de grande influência do pensamento moderno: Émile Durkheim. Para isso, criei personagens fictícios, uma revista fictícia e uma entrevista metafísica e...fictícia. Espero que gostem.

Entrevista com o sociólogo Emílio Marques (através do médium Carlos Xavier)

Sociólogo que cometeu suicídio há uma semana sem deixar explicações, fala à Plutões por meio de sessão espírita.

Como sabe, o compromisso da revista “Plutões” é buscar informações sejam suas fontes confiáveis ou não, deixando em aberto a interpretação de seu público. Nossa admiração pelo cientista social Emílio Marques nunca foi novidade para nossos leitores, quando publicávamos seus ensaios na coluna social (a primeira e verdadeira coluna social de um jornal). Seu suicídio foi uma surpresa para todos da redação, mas trouxe também um sentimento de indignação, pois Marques não deixou bilhete algum, justificando seu ato. Para sanar um pouco do sentimento indigno, partimos então para o campo não científico e esperamos que nossos queridos leitores entendam o propósito dessa sessão. Fomos até o interior do Espírito Santo, procurar o popular médium Carlos Xavier, especialista em incorporar os espíritos de suicidas. A polícia já utilizou algumas de suas transcrições para resolver casos antes tomados como homicídios, algo que causou polêmica entre a comunidade científica. Em um dos casos, Xavier mandou uma carta à polícia dizendo que um jovem havia cometido suicídio e que seu amigo estava sendo acusado injustamente do crime. Porém, logo comprovou-se que o amigo realmente havia assassinado o jovem. Xavier culpou a polícia por forçar a confissão do amigo para que suas transcrições fossem desmerecidas. Ficou no ar uma dúvida quanto o caráter de Xavier, mas não somos nós que vamos julga-lo aqui. Em sua casa humilde, na cidade de Boa Esperança, foi executada a sessão espírita. Segue abaixo a entrevista que o suposto Marques nos deu, através do famoso médium Carlos Xavier:

Revista Plutões: Pode nos dar uma garantia que você é Emílio Marques?
Xavier/Marques: Que tipo de garantia você precisa?
R.P.: Fale-nos a data de seu nascimento.
X/M: Vinte de fevereiro de mil novecentos e sessenta e dois.
R.P.: A data confere. Senhor Marques, poderia nos explicar os motivos que o levaram a cometer suicídio?
X/M: Foi obviamente por uma questão social. As normas sociais e seus direcionamentos governamentais não condiziam com as minhas aspirações em relação à formação de sociedade. Havia uma anomia social.
R.P.: Então, estas normas sociais desagradáveis ao seu ponto de vista, não estavam em seu controle?
X/M: Veja bem, se partirmos dos primórdios da sociologia, encontraremos as explicações de que fatos sociais,são totalmente exteriores ao indivíduo. Já estão ali quando este é colocado no mundo. Também são coerctivios, nos levando a entender o mundo de forma não genuína e pura, obrigando nossos atos. Fora a generalidade, onde  um evento se dissemina por toda sociedade. É uma luta injusta do ponto de vista do indivíduo.
R.P.: O indivíduo está a mercê da sociedade nesse caso?
X/M: Sim. Ao não compactuar com os ideais sociais seu distanciamento torna-se inevitável e fatal.
R.P.: É como um organismo não desejado, uma anomalia mesmo?
X/M: Exato. As nossas sociedades modernas agem conforme um organismo vivo, onde cada um exerce suas funções para que o funcionamento geral seja positivo. Mas se um dos organismos está enfraquecido ou não está compatível com o seguimento da vida, logo ele será expelido direta ou indiretamente.
R.P.: A possibilidade de se lançar o indivíduo para outro campo social também está fora de cogitação?
X/M: Nestes tempos sim, pois as sociedades são praticamente capitalistas e diferem muito pouco uma da outra. O comunismo voltou ao campo filosófico e o socialismo é ainda uma incógnita.
R.P.: Há diferenças entre o comunismo e o socialismo?
X/M: O comunismo pode ser associado à idéia de utopia que permeia há milênios na filosofia, começando com Platão. Já o socialismo surge em meados do século XIX, como uma resposta a acontecimentos históricos.
R.P.: O teu suicídio então, podemos entender que foi uma libertação de controle social?
X/M: Pode-se dizer que sim. Mas não vamos esquecer que o indivíduo é social por natureza e precisa conviver assim para sobreviver. Porém quando sua identidade é totalmente apagada para o seguimento padrão social, a sociedade já não age de forma social, mas sim de forma individual espalhando apenas uma ideologia. Algumas pessoas ainda teimam em enxergar os fatos sociais com certa surpresa e os afastam de sua compreensão. É apenas analisando estes fatos como coisas que vamos exercer um pensamento lógico e objetivo sobre a sociedade que nos cerca.
R.P.: Ok. Queremos agradecer o seu empenho em nos conceder estas explicações. Nossos leitores, mesmo que não acreditem em espiritismo, com certeza vão tirar algo dessa conversa.
X/M: Não acredito em espiritismo também, mas é do meu interesse exercer esta função social e era uma oportunidade rara. Então, eu que agradeço o papel de vocês.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Resenha - Castro

Capa da edição Brasileira
Depois da prévia que fiz aqui sobre a HQ Castro, era questão de tempo para que uma resenha fosse realizada. Sem mais lero-lero, vamos à ela.

A obra é dividida em três capítulos, uma pequena introdução e um epílogo. Em todas as partes (menos o epílogo) estaremos sobre a ótica do fotojornalista alemão Karl Mertens, que ao ler uma entrevista que Fidel Castro deu ao New York Times durante sua estadia em Sierra Maestra, resolveu ir para Havana registrar os momentos que a revolução cubana vivia. É ele quem narra a HQ. Ao alcançar o acampamento de Fidel, Karl conhece alguns dos guerrilheiros e estes lhe contam as histórias de Fidel. Desde sua infância até o atual momento, a primeira parte serve para apresentar aos leitores um jovem e abastado Castro, filho de fazendeiros. Logo na infância já vemos ali um jovem convicto e teimoso, indo de frente com a ordem estabelecida em seu entorno. Um exemplo: aos 12 anos, Fidel já instigava os funcionários de seu próprio pai a se rebelarem através de greves, que reivindicavam melhorias nas condições de trabalho dos camponeses. Vale lembrar que o autor Reinhard Kleist recorreu ao biógrafo Volker Skierka, especialista na vida de Castro, para dar mais veracidade aos relatos enquadrados. Vemos a formação acadêmica do revolucionário e seus primeiros embates com os graúdos que comandavam Cuba naquele momento. Por ser uma obra que mistura ficção aos fatos, Kleist até brinca com isso ao inserir um dos mafiosos mais famosos do mundo em uma das cenas. Fica claro, então, que nesta primeira parte somos apresentados ao passado de Castro e como se deu sua formação revolucionária. Os problemas de Cuba são claros, quando é  refém de gangsteres americanos, que fazem do país o seu quintal lucrativo, com o pretexto de gerar dinheiro e empregos. Também lemos o primeiro encontro do líder cubano com um jovem argentino de convicções parecidas, porém mais globais, chamado Ernesto. Somos apresentados também à um Fidel mulherengo, que encanta as mulheres, mas parece não ama-las como ama a revolução, deixando-as amarguradas, enciumadas, distantes e, em alguns casos, vingativas. De forma sútil, também vemos o lado amoroso do protagonista, ao se apaixonar por Lara, uma guerrilheira que acredita nos ideais de Fidel.

Capa orginal
Na segunda parte, somos lançados ao êxito da revolução com a renúncia de Fulgencio Batista. O foco desta parte é a formação política que se da na Cuba pós-revolução. A ascensão de Castro ao tornar-se chefe de Estado, as primeiras desavenças com o governo norte-americano, a aliança com a União Soviética, as duvidosas atitudes do sistema aos chamados contrarrevolucionários e as sanções que foram impostas ao país, refletindo em controles sociais. Porém agora muitos mais da ótica do povo, representados pelo protagonista e seus amigos, do que de uma ótica narrada. As coisas parecem acontecer de fato nesta parte. Aqui podemos dizer que o caráter de Fidel é colocado em questionamento, mas não de forma vil. Os contra-argumentos do líder cubano não permitem que seus ideais sejam manchados, ao comparar suas atitudes com a de outros países. Kleist consegue humanizar aquele que muitos tratam como um ser mitológico. Há uma certa ironia do autor ao descrever as inúmeras tentativas de atentado à Castro, quando as retrata com desenhos de estilo infantil, como que demonstrando a mentalidade dos anti-Castro. Chama a atenção também o encontro de Castro com o então vice-presidente americano Nixon, que já agia de formas maquiavélicas e não públicas no governo de Eisenhower. Durante o entrave, há uma "quebra" dos quadros demonstrando ali o racha entre os dois governos. A famosa Crise dos Mísseis é retratada através da ótica de Fidel, que foi deixado de lado das negociações entre EUA e URSS. Nota-se na segunda parte, um distanciamento de Castro com seu povo, ao contrário da primeira parte, onde estamos muito focados no seu passado. Parece que quase não há empatia para com o líder cubano. Isso é sentido ao vermos vários dos homens de confiança da revolução cubana, debandarem ou desaparecerem misteriosamente.

Imagem do site oficial do autor

Na terceira parte, o tempo avança abruptamente e estamos já em 2010 com o protagonista e narrador já velho e suas expectativas com a Cuba socialista. É um capítulo bem menor, talvez pela dificuldade em se estabelecer um futuro certeiro para o país. Com a renúncia de Fidel e sua vida chegando ao fim, é possível dizer que o socialismo em Cuba está perto do fim? São perguntas que ficam no ar.

Uma das páginas da edição brasileira

Talvez o ponto negativo da HQ seja em não aprofundas nos personagens fictícios propostos por Kleist. Em certos momentos eles se tornam desnecessários e pouco profundos. O protagonista é realmente Karl Mertens ou Castro? Como material histórico, Castro é impecável. Portanto, acho que a obra funcionaria mais como uma biografia do que uma narrativa de ficção. O ponto de vista de Karl fica muito subjetivo quando este mistura-se com os fatos históricos. 

Em termos técnicos, a 8INVERSO faz um bom trabalho com papel e impressão, mas peca em poucos momentos na parte de revisão ortográfica, mas nada que comprometa o entendimento do leitor. A capa brasileira, na minha opinião faz mais jus à Fidel do que a original. Para quem tem curiosidade sobre a vida de Fidel Castro e os acontecimentos desde a revolução cubana até sua tomada ao poder da ilha, é uma leitura rica em detalhes e uma nova forma de enxerga-lo através da ótica única dos quadrinhos.

Dados Técnicos:

Autor: Reinhard Kleist
Tradução: Margit Neumann e Michael Korfmann
Páginas: 288
Preço: R$ 51,00

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Topo 10+1 - Melhores Adaptações de HQ's para o Cinema

Vamos pro meu segundo Topo. Vou unir duas das coisas que tenho mais facilidade para descorrer em questão de arte: Cinema e Quadrinhos. Pra quem ainda não entendeu a posição +1, eu explico: é um mérito especial, que a torna mais que as outras posições. Explicado? Bora lá então...

Nos últimos anos, tem sido enorme o crescimento de adaptações de quadrinhos para cinema. Esse ano não será diferente, onde contaremos com quatro grandes adaptações: Thor, Green Lantern e X-Men: First Class. Entre reais obras de arte e bombas de bosta, resolvi elencar as 10 que acho as mais importantes e bem executadas.

10 - Homens de Preto




Acho que esse será uma surpresa pra maioria de vocês. Sim, Homens de Preto tem suas origens nos quadrinhos. Lançada em 1990, "The Men In Black" contava a história de uma organização que tinha como princípios básicos caçar qualquer atividade super-humana na Terra e elimina-la. Tudo isso para moldar o nosso planeta de acordo com os interesses da agência. O tom é muito mais sombrio do que o do filme, não? Mas funcionou muito bem, dando uma grande popularidade que a HQ nunca teve.


9 - Homem de Ferro


Com certeza este filme foi uma das maiores surpresas do ano de 2008. Todos tinham uma grande expectativa com O Cavaleiro das Trevas. Mas Robert Downey Jr e seu Tony Stark (ou Tony Stark e seu Robert Downey Jr.) chegaram por fora e mostraram grande competência com um filme leve e divertido, porém tocando em questões delicadas como o mercado bélico e suas ironias. Jon Favreau mostrou-se um diretor surpreendente e nada bobo. Imaginem o que ele teria feito com Homem de Ferro 2 se houvesse mais tempo? Ele já mostrou-se descontente com os prazos da sequência e a fez mesmo assim. Agora, por que será que Favreau abandonou a direção do terceiro filme?


8 - X-Men



Acho que coloquei este mais pelo contexto do que pela qualidade da película em si. Não que X-Men seja um filme ruim de doer. Serviu muito bem para introduzir o que viria a ser uma trilogia. Mas como eu disse, é o contexto que importa aqui. X-Men foi lançado em 2001 e ajudou muito ao reaquecer as adaptações de quadrinhos, que estavam no limbo desde o fatídico Batman & Robin de Joel Schumacher, que foi a gota d'água para os estúdios. Não vamos esquecer também que o filme dos mutantes foi o primeiro blockbuster de personagens da Marvel, sendo muito bem recebidos pelo público.

7 - Estrada Para a Perdição



Também mais um que passa despercebido como adaptação de quadrinhos.  A história praticamente é a mesma contada no filme, mas acredito que o filme tenha trabalhado muito melhor as relações entre os personagens e acrescentando o personagem de Jude Law que não havia na HQ. A parte religiosa, que é algo recorrente nos quadrinhos, teve menos importância no filme, o que achei positivo. Mais um caso em que a adaptação para o cinema ficou mais popular que a obra original.

6 - Batman



A primeira ida do homem morcego aos cinemas blockbusters foi muito bem sucedida. Tim Burton fez um trabalho competente, usando muito das origens pulps de Batman. Ambientando o filme num clima noir, com direito aos capangas utilizando-se das famosas Thompsons (metralhadoras), o sucesso foi imediato apesar das ressalvas à Michael Keaton no papel de Bruce Wayne/Batman. Particularmente, acho que Keaton fez um papel competente, tirando a parte física. Precisa-se que eu comente sobre Jack Nicholson como Coringa?

5 - Homem-Aranha



Esse por vezes estaria na primeira posição do meu Topo. Eu cresci tendo Homem-Aranha como meu super favorito. E quando o filme saiu, foi de chorar. Sam Raimi fez um ótimo trabalho nessa adaptação, fazendo um filme divertido e emocionante, o que sempre foi a proposta do Homem-Aranha. Com o meu amadurecimento pessoal, esse filme foi deixando de ser meu favorito, mas não perde a importância pelo seu trabalho redondo e competente. É um exemplo de filme simples, porém bem feito.

4 - Homem-Aranha 2




Quase redundante, mas tem uma grande explicação para isso aqui. Neste filme, Sam Raimi praticamente fez um repeteco da trama anterior com algumas recalchutadas bacanas que talvez tivessem faltado no primeiro filme. Alguns diálogos foram melhorados, os efeitos ficaram um pouco melhores. Não houve aqui uma mudança enorme, mantendo a simplicidade da história. Faz sentido Homem-Aranha 2 estar uma posição à frente de seu predecessor. É o mesmo só que um pouquinho melhor

3 - X-Men 2



Diferente dos dois filmes do aracnídeo, a sequência de X-Men teve grandes melhoras. A começar pela atuação de Hugh Jackman que finalmente sentiu-se a vontade em seu Wolverine. A trama também desenvolve-se, aprofundando no ponto de vista social. Quando a equipe de Charles Xavier junta-se com o que seria o protótipo dos Acólitos, equipe de mutantes liderada por Magneto e seu ideal de supremacia do gene X, somos forçados a questionar quem são os verdadeiros vilões ou se realmente existem vilões no mundo. Os efeitos visuais evoluem ao nos depararmos com as garras de Wolverine muito verossímeis e o fogo de que Pyro maneja. Ah sim, e a cena bacana da bala na testa de Logan sendo extirpada.

2 - Batman Begins



Com o sucesso das adapatações de quadrinhos nos anos 2000, vimos apenas grandes sucessos dos heróis Marvel. A DC estava ficando para trás e pouco se ouviu de seus projetos cinematográficos. Foi quando anunciaram o reboot da franquia Batman. Aqui era um perigo, pois a queda realmente foi danosa com o já dito Batman & Robin. Mas Christopher Nolan acertou novamente quando em 2005, Batman Begins chegou aos cinemas mundiais sem decepcionar. O recomeço era nítido e a temática muito mais séria e realista ficou escancarada, trazendo alívio e esquecimento das merdas feitas por Joel Schumacher. Christian Bale por hora, é o Batman definitivo, trazendo ironia e sentimento para o dúbio Bruce Wayne. Afinal, quem é a máscara? O empresário ou o morcego?

1 - Superman



Muitos desconhecem este filme. Essa geração pouco se lembrará do homem que mostrou que voar era possível. Esta para mim, é a adaptação mais fiel de quadrinhos já realizada na história, tanto visualmente como ideologicamente. Será difícil supera-la, que fique claro. Os tempos são outros, os personagens já sofreram mil mudanças de caráter. Mas naquela época, Superman ainda era Superman. O escoteiro, o homem de cueca por cima das calças. A película realizada em 1978, trouxe toda a inocência da era de ouro do herói. Christopher Reeve em seu duplo papel, conseguia diferenciar perfeitamente Clark Kent de Kal-El. Marlon Brando como Jor-El, pai kriptoniano de Kal, é de uma presença forte e inesquecível. Margot Kidder como a irreverente Lois Lane, trouxe um dinamismo à trama inigualável. Richard Donner fez o impossível na época (e até hoje para alguns diretores, infelizmente): Ele nos fez acreditar que Superman era real.

+1 - O Cavaleiro das Trevas


Se Superman é a adaptação mais fiel dos quadrinhos, O Cavaleiro das Trevas é a adaptação perfeita, na minha opinião. Vejam bem, fidelidade e perfeição são muito diferentes. Christopher Nolan pegou conceitos de anos de Batman, mas utilizou-se disso apenas como referências visuais e um pouco na formação de caráter dos personagens. Porém, o que há nessa sequência de Batman Begins é a capacidade filosófica que ela lança ao indivíduo, apropriando-se de conceitos da nossa realidade. O bem vs. O mal. Mas e quem está no meio? Como se porta nessa guerra? Teria de fazer uma extensão para explicar as tiradas incríveis que este filme lança sem parecer piegas. Para mim, a melhor obra de Christopher Nolan. E claro, a melhor adaptação de HQ para cinema...por enquanto. Quem sabe o terceiro filme possa superar?

É isso aí galera, se gostaram opinem. Se não gostaram, opinem e acrescentem a opinião de vocês. Até a próxima!

terça-feira, 29 de março de 2011

Iron Maiden - The Final Frontier World Tour 2011

Uma das maiores bandas de heavy metal do mundo se apresentou no estádio do Morumbi na noite de sábado dia 26. 50 mil fãs participaram do primeiro show da turnê do álbum The Final Frontier, o 15º álbum de estúdio da banda, no Brasil. É a nona vez que o Iron Maiden faz shows em solo nacional e eu estava presente mais uma vez.


Os portões se abriram às 15:10 e os primeiros metaleiros que passaram a noite esperando entraram no estádio. Às 19:30 a banda Cavalera Conspiracy, banda formada pelos irmãos Max e Igor Cavalera, ex-Sepultura, subiu no palco para fazer o show de abertura da noite. Divulgaram seu novo álbum entre outras musicas da carreira e ainda mandaram os clássicos do Sepultura como Refuse/Resist, War for Territory, Roots Bloody Roots, dando uma animada no publico.
Após o show de abertura os roadies começaram a arrumar o palco para o grande momento da noite. Exatamente as 21 horas as luzes do estádio se apagaram enquanto se ouvia Doctor Doctor do UFO e todo fã de Iron Maiden sabe o que isso significa, que em instantes o sexteto entraria no palco. Assim que a musica acabou, nos telões exibia o vídeo de abertura, a introdução de Satelite 15...The Final Frontier começava, com algumas explosões e uma viajem pelo espaço e o fundo do palco iluminado imitando estrelas. Terminando o vídeo as luzes do palco se acendem fazendo todos entrarem em euforia vendo Dave Murray, Adrian Smith, Steve Harris, Janick Gers, Nicko

McBrain e Bruce Dickinson, tocando Satelite 15...The Final Frontier, a primeira musica do novo album. No refrão todos cantava juntos com Bruce. Depois foi a vez de El Dorado, onde Bruce começava a explorar as plataformas que corriam em torno do palco e gritar “Scream For me São Paulo”, sem contar que o fundo do palco mudava de acordo com a musica. O show seguiu com um clássico de 1984, do álbum Powerslave, 2 Minutes to Midnight e The Talisman, outra musica recente da banda. Hora de Bruce fazer contato com o publico. Sempre carismático e bem humorado Mr. Dickinson arranha um português saudando o publico com “Boa Noite! Obrigado!” e ainda brinca um pouco dizendo” Ninguém viu este show que estamos tocando para vocês. Guardamos energia para o Brasil. Sei que vocês têm de ir à igreja amanhã, mas vamos mantê-los aqui por um tempo” e mandou outra musica nova pra galera, Coming Home. Vejo essa musica como uma dedicatoria a todos que de uma forma direta e indireta fazem parte da turnê da banda, todas as pessoas que se conhecem nesse caminho. Depois foi a vez de tocarem Dance
of Death do álbum homônimo de 2004, com Janick Gers tocando violão nesta faixa.

The Trooper deu continuidade no set list com Bruce vestindo uniforme vermelho de cavaleiro e hasteando a bandeira inglesa. Sem contar a sincronia das 3 guitarras nesta musica, uma sonoridade impecável. Tocaram duas musicas do album Brave New World de 2000, The Wicker Man e Blood Brothers, esta dedicada a todos os fãs do Iron Maiden pelo mundo, com uma homenagem especial aos japoneses devido aos fortes terremotos ocorridos no começo do mês. When the Wild Wind Blows foi a última música do álbum novo. A partir daí, só clássicos da banda foram executados, The Evil That Men Do com aparição da mascote da banda Eddie de 4 metros de altura andando pelo palco, chegou ate a tocar guitarra durante musica. Fear of The Dark foi à próxima, e se ouvia “OOHH OOOOOHHHH OOHH OOHH” ecoando pelo estádio.




A primeira parte do show foi fechada com Iron Maiden e outro Eddie apareceu no fundo do palco, mas apenas seus dedos, ombro e cabeça, este fez sua primeira aparição da turnê no Brasil.
O bis começou com The Number of The Beast com outro boneco ao fundo imitando a “besta” mesmo. Outra música que não falta no setlist o Iron é Hallowed Be Thy Name em outra apresentação perfeita. A ultima música do show foi Running Free, uma das primeiras música da banda ainda com Paul Di’anno nos vocais. Enquanto era tocada, Bruce apresentava a banda e dizia que não importa o que o Iron Maiden fizer, eles viram sempre tocar em São Paulo. E foi assim que mais uma passagem da banda por São Paulo se encerrou.

Com mais de 30 anos de carreira e seus integrantes com mais de 50 anos de vida o Iron parece cada vez melhor, que nem vinho. A harmonia da banda é incrível. Os solos de guitarra cada vez mais técnicos e com bastante feeling. Dave Murray sola muito. Adrian Smith é um compositor e um guitarrista e tanto. Janick Gers alem de tocar muito bem tem uma presença de palco arrasadora, arremessando guitarra pra cima e dançando enquanto toca. O baixo do Steve Harris pesado como sempre, o considero um dos melhores baixistas do mundo. Nicko McBrain fica escondido atrás de sua enorme bateria e não para um minuto com suas batidas pesadas. E não podemos esquecer Bruce Dickinson, sabe mesmo agitar os fãs, o tempo todo fazendo a platéia cantar com ele.
Espero que o Iron Maiden volte logo para São Paulo, um show que vale a pena ver milhões e milhões de vezes, porque cada apresentação é única e sempre melhor que a outra.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Chipmusic - Trocando uma guitarra por um Game Boy

Esse post é uma homenagem à todos que entendem a arte que há por trás dos videogames e como eles moldaram uma geração inteira.

Pra iniciar este post, tive de recorrer para um artifício que ultimamente tenho evitado ao máximo: memória emocional. Mas seria inevitável neste caso. Seria inevitável lembrar da década de 90, quando ganhei misteriosamente e sem entender muito bem um novo mini-game. Mas aquele era diferente. Maior que o normal, pesado até. Entrada para quatro pilhas. Muito diferente daqueles jogos que iam apenas uma daquelas baterias redondinhas (elas ainda existem?). Porém, quando eu liguei aquele pequeno console, posso dizer que muita coisa mudou. Ok, não era super colorido como meu SNES (Super Nintendo), mas tinha algo mágico nele. Eu poderia levar para onde eu quiser! Sim, estou falando do meu Game Boy e sua primeira versão.

Primeira versão do Game Boy
Na época eu não tinha muita habilidade e passávamos por dificuldades financeiras. Não tinha muitos cartuchos para minha diversão. Porém, eu adorava mesmo aquele pequeno trambolho. Fez parte da minha infância, adolescência e também atualmente. Queriam o que? Eu sou da geração eletrônica! Um detalhe importante, que ficou cravado na minha inconsciência, foram as musicas dos jogos. Aquele som único que, apesar das suas limitações, produziam melodias bem contagiantes. Algumas delas, chegavam a ser cantaroladas. Hoje em dia, quem (dessa geração) não sente um prazer ao arriscar imitar o tema do Mario? Ou aquela introdução épica de Pokémon? Ou quem não sente um arrepio ao escutar toda o soturnismo da trilha sonora de Metroid? Enquanto alguns mais velhos lembram com carinho de cantigas de escola, nós adoramos fazer o baixo das fases de subterrâneas de Mario Bros. (durudurudurum).



Essa geração cresceu. Hoje estamos entre os 20 e os 30. Muitos já se afastaram desse mundo, talvez pela pressão de uma postura mais madura e adulta. Outros, acharam nesse meio um modo de se expressar, de fazer arte. É aqui que entra o cenário atual musical. Você sabia que aquelas musiquinhas que nos remetem aos velhos tempos, hoje são gêneros musicais? Estou falando de chiptunes, nintendocore, chipmusic, etc. Alguns caras que cresceram no mundo dos 8-bits (aqueles jogos velhos onde os pixels eram aparentes), acharam um modo de modificarem seus Game Boys e agora fazem belas melodias que remetem ao som daquela época. Mas engana-se quem pensa que isso é uma brincadeirinha normal. Os realizadores desse tipo de som entendem de música e dão duro para a construção de sua arte. E não é brincadeira quando digo que eles realmente utilizam os portáteis para construção do som!


Nullsleep, um dos mais famosos chiptuners

Pixelh8, que também é um educador musical

Esses "malucos" graças a internet, conseguiram se juntar e são muito unidos, criando comunidades virtuais para divulgação de seus trabalhos. É muito interessante que eles distribuem muitas de suas canções e até alguns álbuns gratuitamente. Um dos mais famosos locais para esse compartilhamento é o 8bitpeoples. Existem artistas de todo o mundo, inclusive do Brasil. É um bom local para descobrir mais sobre esse estilo musical que a cada ano cresce mais e vai ganhando espaço. Existe até um festival próprio para os chiptuners: o Blip Festival. No Brasil a cena ainda é relativamente tímida se compararmos com outros países, porém, seu crescimento é notável. Na mesma linha do 8bitpeoples, temos o coletivo Chippanze que funciona da mesma maneira, porém com os artistas brasileiros do meio. Tivemos alguns festivais pontuais como o 8bit Game People que rolou durante o FILE Hipersonica 2009 (Festival Internacional de Linguagem Eletrônica) trazendo nomes internacionais de peso como SabrepulseCovox e Bitshifter. Claro que haviam artistas nacionais como Pulselooper, um dos integrantes do Chippanze.

Pulselooper: chiptuner do Brasil

O hoje a chipmusic invade até os cinemas e os games atuais. Quem assistiu Scott Pilgrim Vs. The World sabe do que estou falando. O filme é baseado na HQ de Brian O'Malley, que faz uma homenagem incrível aos games. Fora as referências visuais videogamisticas, para aumentar essa atmosfera, o filme recorreu também para a chipmusic em algumas cenas. Acompanhando o lançamento do longa, saiu também para PS3 e Xbox 360 o game homônimo ao filme. Se os gráficos e a jogabilidade remetem aos famosos beat'em ups dos anos 90 (Final Fight, Streets of Rage), os desenvolvedores recorreram para a banda Anamanaguchi para a realização da trilha sonora do game (trilha sonora para a construção desse post).

Anamanaguchi e sua trilha para o jogo Scott Pilgrim Vs The World

A chipmusic realmente é um presente daqueles que só o acaso e o tempo podem proporcionar ao mundo. É surpreendente notar como uma geração apaixonada utilizou de algo teoricamente "obsoleto" para realizar uma arte inigualável. É compreensível que muitos não consigam apreciar esse movimento por não serem filhos dessa geração gamer. Talvez por isso a chipmusic ainda tem ares underground, pois seu público é (ainda) muito focado. Mas quem sabe em breve o reconhecimento como movimento musical seja entregue à essa geração apaixonado pelos 8-bits?

quarta-feira, 16 de março de 2011

Prévia - 8INVERSO traz HQ "Castro" para o Brasil

Hoje o La Colméia vem com uma informação bem bacana. Como"especialista" em histórias em quadrinhos aqui no blog e por termos interesse em temas políticos, lhes apresento uma prévia com belas imagens de uma nova HQ que em breve estará desembarcando por aqui. Trata-se de Castro, escrita e desenhada por Reinhard Kleist lançada no fim do ano passado e que será publicada pela editora 8INVERSO.

Clique na imagem para ampliar

Reinhard Kleist é autor das também HQ's Johnny Cash - Uma Biografia e Elvis, - esta última organizada junto com Titus Ackermann - ambas também com seus direitos adquiridos pela 8INVERSO e muito bem recebidas pela crítica. Baseando-se em pesquisas sobre a vida do ícone cubano e também em uma viagem que fez à Havana em 2008, Kleist cria uma narrativa onde um jornalista se interessa pela vida de um revolucionário na Cuba de 1958: Fidel Alejandro Castro Ruz. Como em uma das imagens desse post, percebe-se que a história vai além da revolução cubana que derrubou o ditador Fulgencio Batista.
Porém, para fazer essa prévia, precisamos conhecer quem está por trás deste lançamento. Sabemos que material Kleist teve de sobra para escrever uma obra mais próxima possível da verossimilhança, mas será algo que saberemos apenas quando tivermos a obra em mãos. Seu trabalho com a biografia em quadrinhos de Johnny Cash não ficou abaixo do esperado segundo críticos (infelizmente ainda não li apesar de fã do trabalho de Cash). Pode ficar ruim se pender muito para a "direita" tanto quanto para a "esquerda". Mas, como eu disse, o autor parece estar com uma boa base para desenvolver a narrativa (Kleist teve apoio de Volker Skierka, biógrafo de Fidel que também assina o prefácio de Castro). É possível notar pela prévia que os traços de Kleist não tendem para a um tom chargista, tentando ser realista, porém cartunesco ao mesmo tempo para que o efeito de empatia seja maior. O preto e branco reforça a idéia de se aproximar da verdade não fazendo com que as cores "falem" por si.
É grande a chance de que Castro torne-se uma obra indispensável. Seja para os adoradores, seja para os contra a sua postura, seja apenas para curiosos deste que, sem dúvida, foi um dos ícones do século XX. Só perderá seu valor se acontecer da obra tornar-se partidária, como dito anteriormente. E claro, assim que a HQ estiver em mãos e lida por completo, uma resenha será colocada no blog, podem ficar tranquilos.


"Condena-me, não importa, a História me absolverá." - Famosa frase de Fidel Castro em La Historia me absolverá, pronunciamento de 16 de outubro de 1953. Será que esta "estória" o absolverá?

“Castro”, graphic novel da 8INVERSO sobre Fidel Castro
Texto e ilustrações: Reinhard Kleist
Tradução: Margit Neumann
Páginas: 288
Preço: R$ 51,00

!Atualização: Galera, a 8INVERSO está sorteando dois exemplares de Castro. Basta ter uma conta no twitter e dar um RT. Mais informações por aqui!

segunda-feira, 14 de março de 2011

O Cinema Francês Hoje (e a adorável Amelie)




Quando pensamos em cinema francês, rapidamente nossos pensamentos nos transportam para a Nouvelle Vague, grande movimento e principal expoente da 7ª arte na França, sem esquecer é claro de toda a escola vanguardista da década de 1920 e do realismo poético das décadas de 30 e 40.
Hoje os tempos são outros e a situação é um tanto quanto diferente.
O cinema francês teve (e ainda tem) papel importantíssimo na tradução do que a própria palavra "cinema" quer dizer. Vale lembrar que os próprios irmãos Lumiére eram franceses.
Podemos notar que o cinema francês no quesito produção, porta-se muito bem no momento e já há alguns anos.
Um país que ocupa aproximadamente 40% do mercado local pode orgulhar-se pois em outros países, usando
como exemplo o Brasil, que, dificilmente consegue abarcar mais de 10% do mercado, ficando sempre atrás das produções estrangeiras.
Mesmo assim, alguns acreditam que a produção francesa tem graves problemas, principalmente quando se pensa no futuro.
O cinema francês traz consigo um forte problema de concentração de produção. Fala-se que a cada 20 filmes de sucesso 1 é originário de uma produtora independente.
Hoje praticamente toda a produção francesa depende da associação com as redes de TV.
O principal "problema" enfrentado é que já nota-se um certo grau de "preferência" das TV's quanto ao tipo de filme que será produzido.
Em outras palavras: As redes de TV tem mostrado interesse em grandes produções, com elenco conhecido e roteiros de grande apelo comercial.
O cinema "diferencial", aquele que não se preocupa em apenas divertir ,que sempre foi o grande atrativo do cinema produzido na França está ficando cada vez mais difícil de produzir-se.
Ou seja, mesmo no interior de uma situação privilegiada como a do cinema francês, a grande briga é pelo financiamento do filme dito "de arte", sem o qual nenhuma cinematografia funciona, progride ou se justifica.

*********



Seguindo na linha Cinema Francês, deixo aqui a resenha e a dica de um filme recente e bastante comentado, mas nem por isso menos importante: O Fabuloso Destino de Amelie Poulain.

Começo dizendo a máxima: O Fabuloso Destino de Amélie Poulain não pode ser considerado um filme comum. É gratificante assistir um filme bem equilibrado em diversos aspectos, pricipalmente bem equilibrado entre a comédia e o drama. Simples e encantador.
Dirigido por Jean-Pierre Jeunet e produzido na França, conta a história de Amelie Poulain.
Desde a sua infância, Amelie sempre foi reclusa da maioria das pessoas, o que num primeiro momento, já torna sua "chegada" ao mundo, conturbada demais.
É órfã de mãe que morrera em circunstâncias não muito bem esclarecidas. Como animal de estimação tinha um peixe, que, talvez retratasse as perturbações futuras de sua dona pois tinha crises e eventualmente tentava o suicídio. Por fim, seu pai, que era médico, dificilmente aproximou-se da filha, talvez por falta de tempo, talvez por falta de afeto, enfim, geralmente aproximava-se da filha apenas para examiná-la como um paciente qualquer.
Com um histórico familiar como esse não seria de se esperar que a menina vivesse isolada, sem amigos para brincar ou divertir-se como uma criança comum.
Amelie cresce. Uma bela moça que trabalha como garçonete e mora sozinha em um apartamento em Paris. Um dia encontra em sua residência uma caixa de "segredos" pertencente a um antigo morador. Amelie então decide encontrar o dono do artefato. Após o sucesso da empreitada e comovida com a reação do dono, Amelie começa a repensar a sua vida e acaba por descobrir que lhe falta o combustível para a sua verdadeira felicidade: um grande e generoso amor.
Estéticamente o filme é um deleite visual: A fotografia é lindíssima. Muito bem trabalhada, forte em detalhes, muito colorida e de um "amarelo" envolvente. Movimentos de câmera incomuns na maioria das vezes e um tratamento digital refinado. Talvez seja o ponto alto do filme e tecnicamente muitos consideram a parte que merece mais méritos em toda a produção.
Difícil também não deixar de encantar-se pela primorosa trilha sonora composta por Yann Tiersen. Acredito que Yan envolveu-se de tal forma com o projeto que conseguiu transmitir fielmente o clima e a sensação que Jean Pierre gostaria de transmitir. Com um “sem fim” de intrumentos (banjo, violão, acordeon, piano, harpa, mandolin entre outros...) Yan Tiersen já consagrou a trilha do filme a um clássico absoluto.
O roteiro apesar de simplista e não trazer nada inovador tem muita qualidade e foi muito bem escrito. Acredito ser esse o ponto forte do filme, porém raramente alguém comenta isso, julgando-o como "apenas mais um filme" com fotografia bonita. A forma com que Jean-Pierre Jeunet nos conduz para dentro da vida de Amelie com a belíssima atuação de Audrey Tautou é forte, é intensa.
O padrão utilizado pelo diretor mesclando drama e comédia, amparado por um narrador ao estilo "documentário expositivo" dá a tônica do interesse do público pelo filme. Torna o filme leve, fato que não é muito comum em um filme que tem a carga dramática que o Fabuloso Destino de Amelie Poulain carrega em suas entrelinhas. A narração acaba por prender a atenção do público pois geralmente aparece de forma rápida e repleta de detalhes que ajudam a construir o enredo, principalmente no que diz respeito ao caráter da personagem principal.
O público fica na "ânsia" de saber que rumo tomará a vida da "comum" Amelie que de garotinha tímida e reclusa torna-se o centro de uma cadeia de boas ações para todos que a rodeiam. E, em contra partida busca sem saber direito quem ou o que preencherá o vazio que sente em relação aos seus sentimentos. Fato é que Amelie consegue driblar a maioria dos seus problemas nessa quase "cruzada" pela felicidade. Sua e dos outros.
O Fabuloso Destino de Amélie Poulain é um filme sobre pessoas comuns que desejam realizar seus sonhos.


O Fabuloso Destino de Amélie Poulain

Titulo original: (Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain)
País: França (2001)
Direção: Jean-Pierre Jeunet
Elenco: Audrey Tautou , Mathieu Kassovitz , Rufus , Yolande Moreau , Jamel Debbouze
Duração: 120 min
Gênero: Drama / Comédia