sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Cinema Atual e Pipocas


Cinema,
eu gosto, você gosta.
A humanidade gosta.
Tem gente que só gosta da pipoca...
Cinema, a sétima arte, do grego: κίνημα – kinema - "movimento"...
Antes de mais nada, devemos deixar isso bem claro:
O Cinema é uma arte!
Que começou por ali, quando as pinturas “viraram” fotografias e as fotografias “sentiram necessidade” de movimentar-se. (histórias que aparecerão por aqui com o decorrer do tempo).
Você gosta de cinema ou você gosta de arte?
Em uma rápida análise podemos verificar que o “cinema arte”, aquele lá do início, há tempos já não existe mais e, quando existe tem bilheterias e repercussão pífias.
O “cinema arte” é composto de ideais, de valores. O “cinema arte” é humano.
Hmm... “Mas Anderson, o intuito do cinema não é entreter o espectador?”
Sim, como toda a arte. Porém para isso não é necessário imbecilizar, desviar e porque não dizer, ofender a inteligência das pessoas.
Enlatados, pasteurizados, “sem sal”.
Todos esses termos descrevem muito bem os campeões de bilheteria dos últimos tempos, de um período do cinema onde o diretor deixou a arte um pouco de lado e passou a preocupar-se apenas com as rendas da bilheteria.
Tecnologia? Efeitos especiais e computação gráfica?
São ótimos recursos para engrandecer qualquer história. Mas há a necessidade de existir uma história (ou estória, enfim...)
Bons atores e boas atrizes tem sido coadjuvantes para rapazes e moças que tem qualidade duvidosa até em seus seriados para TV de origem ou no programa ao qual apresentam.
Roteiros?
A maioria deles ensina (ou doutrina?) que o crime compensa sim e que o cara “bacana”, o cidadão “ideal” é o paspalho, é o pateta, é o babaca...
Talvez, o que vemos nas telas hoje, seja reflexo direto da completa inversão de valores que temos na sociedade.
Mas ok, existem filmes que ainda hoje conseguem resgatar toda aquela história de valores que eu comentei lá no início. Porém, são as exceções. E, é exatamente aí que está o problema, pelo menos aos meus olhos...
Cinema, eu gosto, você gosta.
A humanidade gosta.
Tem gente que só gosta da pipoca...

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A Importância de Ser Coletivo


O blog não é só de cinema, nem só de política. Acho que definiria esse blog como também. Também sobre música, também sobre filosofia, também sobre o que cada um quiser escrever. É um blog que pretende explorar as fortes opiniões e percepções humanas. Por isso, acho interessante falar da mudança que ocorreu de uns dias pra cá.

Não sei se muitos sabem, mas o nome deste blog era Mel Agridoce. Como meu nome é Melchior, logo ele seria sobre as minhas percepções, minas visões de mundo. Ultimamente, andei lendo um livreto de Karl Marx, sobre a liberdade de imprensa. Em certo trecho, ele fala da percepção infantil, que é muito particular, centralisadora. A criança apenas enxerga o que é seu. Infelizmente, até hoje, muitas pessoas que já não crianças, adotam essa postura.

Ao me deparar com meus blogs, percebi que elas eram muito pessoais e em muitos casos, de proposta infantil. Não totalmente consciente, resolvi mudar o nome deste blog. Era um indício do que eu queria. Algo mais amplo e geral. Minha visão não é o suficiente para o mundo infinito da internet.

Após minha crítica de Cisne Negro, que teve uma boa recepção, resolvi então partir para um estágio maior. Convidei pessoas para ajudarem na contribuição das postagens. De forma livre, que fique claro. Não é aqui o propósito dar apenas coisas que estão em tendência. Sempre gostei de textos atemporais, críticos, que abrangem outras propostas. E quem melhor do que outros, para expandir a consciência?

É importante ser coletivo. Pois assim, crescemos e nos sentimos encorajados (diria até, desafiados) à correr atrás do conhecimento, tanto interno quanto externo. Como Marx disse em seu livro, liberdade de expressão é auto-conhecimento. Sem isso, não é liberdade e sim, apenas verborragia.

Para algo mais pessoal, porém enfatizando o coletivo, Alex Supertramp em seu derradeiro fim nos deixou a seguinte mensagem: "Felicidade só é real quando compartilhada". É isso que estou, e agora estamos, tentando fazer aqui. Compartilhar. Então, compartilhe conosco. Garanto que para todos, será gratificante.


Resenha - O Guerreiro Silencioso




Ultimamente tenho ganhado gosto por romances históricos. Experimentei há mais ou menos um ano alguns dos livros do Bernard Cornwell, e devo dizer: fui fisgado. Hoje em dia a temática da História medieval da Europa me fascina, e foi justamente esse fascínio que me levou a assistir a essa pérola meio-dinamarquesa, meio-britânica. O filme ganhou muito hype em 2010, devido a sua participação nos Festivais de Veneza e Toronto, e merece a atenção daqueles que prezam o Cinema bem executado.


Mads Mikkelsen, o ator de perfil macabro que interpretou o vilão do reboot da franquia 007 em 2006, protagoniza os 90 minutos congelantes desse tapa-na-cara visual. One-eye, como ele é chamado por ter um dos olhos costurados, é apresentado sujo, acorrentado e enjaulado. Apesar de sua percepção de profundidade defeituosa, One-eye é um guerreiro intrépido e praticamente invencível em sua frieza psicótica. “Sangue no olho” é uma ótima expressão para descreve-lo. Os eventos mostrados no início do filme representam uma espécie de “briga de galo” com seres humanos, em que prisioneiros cobertos de pinturas corporais célticas lutam até a morte pelas apostas de seus senhores. Nessas circunstâncias podemos conferir a força derradeira de One-eye, que mesmo amarrado pelo pescoço consegue vencer o duelo em favor do seu senhor.
Frequentemente trocado entre diferentes senhores, pois ninguém é capaz de mante-lo por muito tempo, One-eye é passado pra frente. Sua natureza brutal garante a alta rotatividade de seus “serviços”. Durante a passagem, ele consegue se libertar com a ajuda do garoto Are, que no grupo de seu antigo dono era encarregado de alimenta-lo. Os dois se tornam livres e formam um pacto silencioso. Pouco depois, eles encontram um grupo de cristãos em Cruzada (peregrinos viajando rumo ao que hoje é a Palestina, em busca de terra e tesouros). Para sobreviverem, juntam-se ao grupo e partem com eles em um barco. A Terra Santa, a terra prometida os aguardava. Jerusalem, o reino de Deus, que é deles por direito, direito adquirido por serem cristãos, por seguirem a cruz. Mas o desígnio do acaso discorda e não apoia a sua jornada. Uma forte neblina os engole durante a viagem, e eles acabam em uma terra sombria desconhecida, onde encontram o seu inexorável destino. Em nenhum momento vemos sinais claros da nacionalidade de nenhum dos personagens. Só se pode especular. O sangue é brilhante e jorra bruscamente. Não há slow motion. Não há trilha sonora: o silêncio acompanha a carnificina. O ponto mais forte do filme é, de longe, a estética. Cenários maravilhosos, figurino impecável e uma direção fria de Nicolas Refn. Pode-se dizer que o roteiro é limitado, mas somente para aqueles que estão acostumados ao cinema excessivamente comercial. Há pouquíssimos diálogos, e apenas alguns deles são esclarecedores em relação ao enredo. É possível que para aqueles que desconhecem o contexto histórico da Europa em 1000 dC o filme não faça o menor sentido. É preciso ter em mente a realidade da Idade das Trevas, o embate entre os cristãos e os pagãos, e também os constantes conflitos entre as diversas tribos e etnias que habitavam a região naquela época. O enredo precisa ser deduzido pelo que se vê, pensa e sabe. Ele não será explicado, mastigado e dado de bandeja por um narrador. Não há uma introdução que situe o espectador no contexto da história. O filme está lá, os acontecimentos são exibidos magistralmente, mas as conclusões finais ficam a cargo exclusivo do espectador. Os detalhes são importantes e o que é dito, embora seja pouco, tem muito significado. O filme é introspectivo e foge completamente do padrão do mainstream. Vale a pena ser conferido por sua indiscutivel beleza estética e, acima de tudo, por sua riqueza em simbolismos misteriosos.





segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Resenha - O Vencedor


Antes de começar a crítica, é importante fazer uma comparação. Não faz muito tempo que decidi fazer críticas de filmes e algo, que talvez não seja novidade para os mais experientes, me chamou atenção. Minha primeira crítica de Cisne Negro inevitavelmente voltou-se para o lado visual do filme que realmente acaba roubando o brilho das atuações e do enredo. Neste O Vencedor (The Fighter), o foco é totalmente nas relações e nas atuações. É gratificante sentir essa diferença.

Enfim, vamos à crítica.

Não sou conhecedor da direção de David O. Russel (Huckabees, Três Reis) sendo esse o seu primeiro longa que assisto. O filme é baseado em fatos reais e tem como ponto de partida a história de Micky Ward (Mark Wahlberg), um boxeador "trampolim", que apenas serve para aumentar as vitórias no currículo de outros mais bem preparados e patrocinados. A razão para Micky continuar num ciclo vicioso de lutas fracassadas encontra-se, ironicamente, onde deveria ser bem cuidado: sua família. O meio-irmão do boxeador é Dicky Eklund (Christian Bale), um ex-boxeador que vive de uma queda que fez em Sugar Ray Leonard, famoso boxeador. Eklund, perdeu a luta, mas ficou famoso por derrubar um lutador consagrado. Em sua cidade, ele é chamado de "O Orgulho de Lowell". Porém, a carreira de Dicky foi curta e ele acabou se viciando em crack. Porém, ele é a maior inspiração de seu irmão "trampolim", que ama o esporte.

O filme é uma cine-biografia, porém David O Russell tenta aproximar-se o máximo que pode de um realismo, mas sem esquecer do drama. Para isso, ele insere dentro do drama, a construção de um documentário. É um tempero a mais na verossimilhança. Pelo que percebi, David O. Russell, também gosta de brincar com contradições, como a cena da limousine.

Mas o que fica mesmo são as atuações de todos os envolvidos. Sim, todos, até os mais coadjuvantes. Christian Bale está excepcional como o excêntrico Dicky e assusta, ao começarem os créditos que mostram o real Dicky, o quanto ele pegou dos traços. Não há Christian Bale no filme, há Dicky Eklund. Provavelmente e com justiça, levará a estatueta.

Até hoje, havia apenas assistido Amy Adams em comédias (Prenda-me Se For Capaz e Encantada) e sua beleza inocente e frágil. Mas aqui, ela é Charlotte. Uma mulher de força, que não se intimida nem por uma legião de conservadoras do Tea Party. Uma mulher que já passou por poucas e boas, mas que está disposta a mudar. E Amy convence.


Porém, a atuação de Melissa Leo como Alice, a mãe quase feudal de Micky e Dicky, é de roubar a cena em muitos momentos. Uma personagens que tem todos os motivos para ser odiada, de ser a vilã. Mas Melissa não nos permite e passa uma humanidade e quase inocência nas atitudes da mãe. Impossível odia-la, possível compreende-la.

Incrivelmente, não achei que um dia escreveria isso, mas todas as atuações conseguem se mostrar graças à Mark Wahlberg. Não sou fã de seu trabalho, mas dessa vez, Walhberg ganhou méritos. Assim como ele é o "trampolim" dos boxeadores, Wahlberg fez de Micky o trampolim de sua família. Ele apanha de todos, quase sem reclamar. E no final, é ele quem acaba por mostrar que temos que deixar de lado os defeitos, os males, as intenções, os egoísmos de lado e que só assim, tudo que todos desejam, seria alcançado. Tímido e humano, Micky é o catalisador de todo o enredo.

Algo que notei, que pode desviar um pouco a atenção do espectador, são as famigeradas e enjoativas cenas de luta. É algo que cansamos de ver em Rocky e seus filhos. Apenas uma tomada das lutas que achei interessante, quando Micky recebe uma sequência de golpes, porém não temos a intensidade da imagem. Impulsivamente, me descolei da cadeira nesta cena procurando, literalmente, os golpes, como uma vizinha curiosa com a desgraça alheia. A narração e as expressões de sua equipe, é que moldam a dor. Empatia.

É um filme justo. Respeita o espectador ao não melodramatizar uma história real, mas sabe utilizar do drama para instiga-lo a entender os acontecimentos. As atuações mereceram no mínimo as indicações e algumas delas, merecem o reconhecimento da academia. Mas essa ainda brinca de "trampolim" para o ultrapassado.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Resenha - Cisne Negro




Dirigido por Darren Aronofsky (Réquiem para um Sonho, O Lutador), Cisne Negro (Black Swan no original) é um longa que dispensa comentários quanto à sua beleza visual. Uma grande homenagem à arte do balé. Mas acima de tudo, um suspense que trata da dualidade reprimida, sendo pressionada a se expor por forças externas.

A história gira em torno de Nina Sayers (interpretada por Natalie Portman), uma bailarina que se encontra na "meia idade" da compania onde atua. Nina é uma garota de exemplo moral quase inquestionável. Segue as regras, esforça-se para ser perfeita, para ficar nos eixos. Para manter-se contundente, Nina conta com a ajuda de sua mãe, a ex-bailarina Erica (Barbara Hershey). Novidades estão para surgir na profissão de Nina: a compania está para lançar uma nova versão do clássico O Lago dos Cisnes e, devida aposentadoria da bailarina estrela Beth (Winona Ryder), abre-se uma vaga para uma nova estrela, que será a Rainha Cisne e terá de intepretar as gêmeas Odette e Odile. A expectativa aumenta, trazendo assim, a ansiedade para a jovem bailarina.

Com o começo das audiências para a escolha da Rainha Cisne, nos é exposta a principal trama do filme. Nina é metódica e racional. Seus movimentos não falham e são bem precisos. Não há erros para seus passos. Para interpretar o cisne branco, Odette, Nina é perfeita. Até sua personalidade é compatível com a da gêmea virginal. Porém, nas falas do diretor do espetáculo Thomas (Vincent Cassel), ele não procura apenas o cisne branco, mas também, o cisne negro. Sorrateiramente, nos é apresentada uma nova bailarina que chega à compania neste momento conturbado: Lily (Mila Kunis). Lily já de cara nos demonstra uma aura despreocupada e atrevida, o oposto de Nina.

Nos primeiros minutos do filme, conseguimos identificar que Nina esforça-se de forma sacrificante para manter-se na linha. A pressão da mãe, por querer que a filha torne-se o que ela não foi; a bulimia para manter o "corpo de bailarina", a repressão pelo desejo de se apaixonar pelo professor e crises de coceira. Enfim, Nina está a ponto de explodir. Ela tenta esconder todos esses contratempos, mas eles sempre vêm à tona quando Nina defronta-se com os inúmeros espelhos que povoam a todo tempo os cenários do filme.


Naturalmente, Nina consegue o papel da Rainha Cisne, mas Thomas a alerta de que se ela não conseguir incorporar Odile, a gêmea oposta, Nina será substituída. A pressão cai em seu frágil corpo novamente e só aumenta quando Lily dá a entender que deseja o papel e não medirá esforços para derrubar Nina. Mas a ironia ocorre por Lily ser exatamente o que a Rainha Cisne precisa ser para ratificar completamente o papel de estrela do espetáculo. Da-se então, uma relação de amor e ódio, por parte de Nina. Bom frisar, que no começo do filme somos apresentados aos personagens e suas personalidades, mas em certo momento estamos totalmente no universo mental e perturbado de Nina e passamos a encarar os personagens como ela está enxergando.

Ao mesmo tempo que Nina está sendo pressionada agressivamente à mudar sua postura para interpretar Odile, ela sofre a superproteção de sua mãe e é aí que os conflitos psicológicos começam a ocorrer com Nina. Muito disso deve-se à câmera claustrofóbica que Darren aplicou, dando closes fechados e desesperados na face de Nina, dando a entender o tamanho da pressão em um corpo tão pequeno e fraco. Para alcançar o ápice do seu sonho, Nina precisa deixar de ser quem ela é.

O filme flerta com o clássico e o moderno. Nina é a representação do clássico e Lily, do moderno. O uso de drogas, as festas exageradas, a tatuagem representam a atual geração que é apelativa, ao mesmo tempo sedutora e leviana. Tudo que Odile, o cisne negro, é.

Mas o cisne negro de Nina, está preso por uma fina camada de vidro, que ela não consegue quebrar. Assim, no clímax do filme, com a quebra do grande espelho, é onde o lado reprimido de Nina liberta-se e possui a jovem bailarina. A reação extrema às provocações externas.

Um excelente filme, onde os aspectos visuais superam a narrativa, o que não significa que a mesma seja ruim, mas com certeza fica atrás do aspecto geral. Aronofsky prova mais uma vez que é um diretor geral, onde utiliza-se de todas as técnicas possíveis para se realizar um bom longa e, dependendo do contexto, sabe valorizar o real aspecto e enaltece-lo.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Resenha - Desista! E Outras Histórias de Franz Kafka


Desista! é uma HQ que tem como base de roteiro, pequenos contos de escritor Franz Kafka (Metamorfose). Os desenhos ficam por conta de Peter Kuper (Spy vs. Spy, World War 3 ambos sem lançamento na terra do vôlei, digo, futebol). Foi lançado pela Conrad em 2008 (a obra foi realizada em 95) e apenas chamou-me atenção por ter relação com Franz Kafka e HQ.


Não sou conhecedor de ambos os traços de Peter Kuper e a narrativa de Franz Kafka. Mas já digo que a pequena obra (70 páginas), vale a pena. As histórias de Kafka, são perfeitamente não datadas, tanto que na época em que seus contos (todos póstumos) foram publicados, o tcheco foi várias vezes tachado de alienado. A HQ contém 9 histórias retiradas de compilações e com textos integrais. Destaque para as histórias Desista!, O Abutre, A Ponte e O Timoneiro. Para quem não está acostumado com leituras mais intrincadas, pode se confundir com os textos de Kafka, tendo em vista que a própria tradução dos textos, é algo de longa discussão entre os especialistas em leitura kafkiana.



O traço de Kuper é incrivelmente envolvente. Nota-se uma mistura de abstração com toques comuns de padrões de quadrinhos. Kuper consegue utilizar do próprio ambiente de um "enquadramento" para dar justaposição à uma página, o que faz a leitura fluir sem problemas. Aliás, a justaposição da obra, são os pontos fortes. Kuper pareceu não deixar os famosos quadros se adaptarem aos desenhos, mas fez o caminho contrário. O enquadramento parece ser obrigado a moldar-se com o traço. Seu traço quase chargista, flerta tranquilamente com o surrealismo, também implícito na escrita de Kafka.


Sobre o trato da Conrad com a obra, há pontos positivos e negativos. É quase um formatinho, mas com material consistente. No final, tem-se uma página inteira com referência das obras de Kafka e seus títulos originais, o que raramente acontece de forma clara em muitas publicações.

Desista! é um prato cheio para quem gosta de experimentalismo em quadrinhos, pois foge do lugar comum e dá um nova referência para outras leituras de HQ's.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Mídia, Hipocrisia, Ética e o Acriticismo Contemporâneo

Primeiro de tudo, quero deixar claro que este texto não tem como princípio a defesa de valores sócio-ideológicos. Não é um manifesto comunista ou esquerdista. No máximo. pode ser considerado um manifesto jornalístico. Então, tentem entender a essência real da informação.

Estamos todos acompanhando a revolução que está ocorrendo no Egito. Alguns acham a situação horrível, mas temos que entender que é o povo quem está falando contra a opressão de uma ditadura. Se muitos estão morrendo, podem apostar que as mortes poderiam se evitadas se este mesmo governo, escutasse o seu povo. O que claramente, não é a função daquela ditadura.
Quero focar na palavra ditadura. Eu, uma pessoa que ainda não exerce a função de um jornalista e dependo ainda muito do que a mídia me oferece, desconhecia que nesses países do oriente, ainda existiam ditaduras. E aposto que muitos de vocês que acompanham a grande mídia, também desconheciam esse fato. Enquanto algumas ditaduras estão sempre nos holofotes, como Cuba e Venezuela, outras estão omitidas. E por que? Não é toda ditadura um atentado aos direitos humanos e à liberdade? Não deveria toda ditadura ser combatida e denunciada mundo afora? Por quais motivos, então, os governos da Tunísia e Egito, eram silenciosos, se depois dos movimentos populares, apareceram como ditaduras?


Bom, com esta duvida na minha cabeça, tentei chegar à uma resposta para essa pequena falha da imprensa brasileira. Grande surpresa a minha, quando na própria grande mídia, encontrei a resposta, quando vi o discurso do presidente dos E.U.A, Barack Obama, dizer que apesar dos conflitos, não retiraria o investimento de bilhões que os americanos injetavam na ditadura do Egito. O mesmo governo que espanca Fidel Castro e Hugo Chavez com seus discursos de liberdade, é o mesmo que investe em um governo ditatorial.
Como sabemos, a maior emissora pública do nosso país, recebe capital direto de empresas da América do Norte e então, fica claro o seu posicionamento diante os acontecimentos mundiais.
Fazendo esta análise, podemos chegar à conclusão de que os grandes alardes quanto aos regimes de Cuba e Venezuela, não passam de velhas perseguições políticas da época da Guerra Fria. Pelo simples fato dos dois governos serem de esquerda, há uma fome de destruição e manchação de imagem. Novamente, isto não é uma defesa à estes governos que também praticam atos pouco morais, segundo as informações que temos. Mas e agora? Como podemos aceitar as informações da grande mídia que sempre demoniza Castro e Chávez, mas ao mesmo tempo endossa outros governos tanto quanto ou mais cruéis que os governos latinos?


É claro que existem os interesses econômicos e as cartilhas de cada órgão de imprensa, mas isso deveria superar o papel do jornalista de informar, denunciar e opinar diante dos fatos? E quanto a responsabilidade ética com o público medíocre (sem pejorativos, por favor)?
Para mim, no mínimo isso causaria uma certa desconfiança com o emissor da notícia. Bom, mas isso eu já tenho com a grande mídia faz tempo. Também não estou dizendo que não se deve noticiar o acontecido, mas não quer dizer que devemos valorizar totalmente o que se diz. Dizer que o Egito está um caos, não basta. Era preciso, como jornalista, explicar exatamente o que acontece e acompanhar as truculências que foram cometidas àquele povo. Mas vão me dizer, que esse é o papel da impressa egípcia. Ok, então, que tal a imprensa brasileira parar de cobrir os "atentados à liberdade" nos países latinos?


Para terminar, gostaria de dizer que está em nossas mãos manter uma postura ética contundente perante o que nos é dado. O acriticismo vem crescendo conforme o passar dos anos, estamos opinando menos, valorizando nossos interesses infantis cada vez mais. E isso é exatamente o que os donos do mundo querem de vocês. A não ser que você sinta-se seduzido por uma cadeira no topo do mundo, comece a ser mais crítico e não tenha medo de desagradar.

Por hoje é isso, obrigado por lerem.
Até a próxima!